Academia Brasileira de Futebol

Ary Barroso

Ary Evangelista Resende Barroso nasceu na cidade mineira de Ubá, em 7 de novembro de 1903. Com 16 anos chegou a então capital federal imbuído de muita vontade de vencer e das preciosas lições de piano proporcionadas pela tia Ritinha, apesar do desejo de estudar Direito.

Aos 15 anos Ary havia composto “De Longe”, um cateretê que marcou o início da sua profícua carreira de compositor. Cursando o segundo ano na Faculdade Nacional de Direito, empregou-se como pianista no Cinema Íris, no Largo da Carioca. Haveria de tocar ainda com a orquestra do maestro Sebastião Cirino no Teatro Carlos Gomes, e em muitas outras orquestras.

Retornou aos estudos em 1926 sem deixar as atividades de pianista. Começou então a compor para o teatro de revista, estreando em “Laranja da China”, de Olegário Mariano e Luiz Peixoto. De 1929 a 1960, Ary Barroso musicou mais de 60 peças. Ainda em 1929 compôs “Vou à Penha”, sua primeira música gravada por aquele que viria a ser um de seus maiores intérpretes: Mário Reis. Na voz do mesmo cantor conheceu seu primeiro sucesso, “Vamos Deixar de Intimidades”.

Em 1930 ganhou um concurso de músicas carnavalescas com a marchinha “Dá Nela”, fazendo jus a um prêmio de cinco contos de reis. Casou-se então com Ivone Belfort Arantes, com quem teve seus dois filhos: Mariúza e Flávio Rubens. Bacharelou-se em Direito neste ano e, em 1931, foi para Belo Horizonte onde um tio havia conseguido sua nomeação para juiz municipal em Nova Resende (MG). Ary disse não à futura carreira jurídica, e retornou ao Rio.

Em 1934, com a orquestra de Napoleão Tavares, Ary Barroso conheceu a Bahia. Os ares baianos estimularam sua criatividade e o compositor deu início à carreira radiofônica em programas na Rádio Philips (RJ), Rádio Cosmos (SP) e, mais tarde, nas Rádios Cruzeiro do Sul  e Tupi, ambas do Rio de Janeiro, onde estreou a “Hora do Calouro”. Iniciou a carreira como locutor esportivo em 1936, de início narrando corridas de automóveis. Neste ano, durante o campeonato carioca, substituiu o locutor esportivo Afonso Scola na véspera de um Fla-Flu decisivo: o Flamengo perdeu seu torcedor mais ilustre, mas o futebol ganhou um dos narradores mais criativos e espirituosos de todos os tempos. O som da gaitinha foi sua marca registrada, através de narrações “descaradamente” rubro-negras.

Foi para os EUA em 1944, convidado a compor trilhas sonoras dos desenhos dos estúdios Disney. Vendo incluídas “Aquarela do Brasil”, “Na baixa do sapateiro” e “Os quindins de Iaiá” nas películas “Alô Brasil” e “Você já foi à Bahia”, regressa, pois sua paixão pelo Flamengo não o deixava permanecer fora do Rio. Apesar de ter recebido um convite para dirigir os estudos Disney, Ary recusou a proposta alegando: “Não, não posso ficar. Não aqui, não tem Flamengo”. Disney jamais entendeu como este tipo de paixão pudesse levar uma pessoa a desprezar uma proposta fabulosa como a que ele fizera a Ary.

De volta ao Rio elegeu-se vereador em 1946: foram célebres suas polêmicas com Carlos Lacerda durante os debates do projeto de construção do Maracanã, trabalhando arduamente a favor da construção do estádio, sendo Ary Barroso o responsável pela edificação do estádio onde este hoje se encontra. Ary lutou também pelos direitos do compositor brasileiro, sendo fundador da UBC (União Brasileira de Compositores). Nos anos 50 seus programas “Calouros em Desfile” e “Encontros com Ary” revelaram nomes que marcaram época na MPB como Elizeth Cardoso, Zé Kéti, Elza Soares, Dolores Duran e o sanfoneiro Luís Gonzaga, entre outros. Em 1955, recebeu ao lado de Villa Lobos, mestre da arte erudita, a “Ordem Nacional do Mérito”. Produziu jóias como “Risque” e “É luxo só” além de continuar no rádio passa a atuar na televisão.

Ao todo Ary Barroso compôs cerca de 370 canções, primores como “Camisa Amarela”, “Folha Morta”, “Maria”, “No Tabuleiro da Baiana”, “Rancho dos Namorados”, “Morena Boca de Ouro”, “Terra Seca”, “Três Lágrimas” e as marchinhas “Como Vais Você” e “Grau Dez”.onde a palavra Brasil é citada 58 vezes. Ficou mundialmente conhecido por sua “Aquarela do Brasil”, recentemente eleita como a música do século. Símbolo da paixão pelo País que predominou nas artes e na música dos anos 30 a 50, Ary Barroso nos ensinou a amar o Brasil sobre todas as coisas. Na música, na política, no esporte, no cinema, no rádio e até na televisão, o multimídia Ary Barroso é um dos maiores gênios do nosso tempo.

 

Texto: Nilson Moraes