Academia Brasileira de Futebol

Jules Rimet

O idealista Jules Rimet

 

            Jules Rimet dedicou toda sua vida ao esporte, principalmente ao futebol. Nasceu em 24 de outubro de 1873 em Theuley, na França, e morreu em 16 de outubro de 1956. Em 1897 fundou o Red Star Club Français e, alguns meses depois, ocupou a Secretaria da Comissão de Atletismo da União das Sociedades Francesas de Desportos Atléticos.

Participou, em 1910, da fundação da Liga de Futebol da França. A partir de 7 de abril de 1919 até 23 de julho de 1949, dirigiu a Federação Francesa de Futebol. Foi presidente do Comitê Nacional de Desportos de 1932 a 1947. Pertenceu à Academia de Desportos e ao Conselho Superior de Desportos do Ministério de Educação Nacional.

No período de 1914 manteve seus primeiros contatos com a FIFA e, em 1920, iniciou sua gestão na presidência da entidade controladora do futebol mundial.

Seu nome ornamenta a Copa do Mundo, uma homenagem que recebeu com muita humildade em 1946, por decisão unânime dos membros da FIFA.

Jules Rimet foi simples soldado na I Guerra Mundial; terminou a sangrenta luta como tenente, depois de receber a Cruz de Guerra, com três citações. Era comandante da Legião de Honra do estrangeiro. Seu nome está indiscutivelmente incluído ao futebol internacional, e à própria história do futebol.

Seu nome refulge como ouro do troféu que o consagra e imortaliza, na História do Futebol Mundial. Acreditando no futebol como força capaz de unir homens e povos, Jules Rimet dedicou toda sua vida à causa do esporte, visando atingir aquele ideal. À ele se deve a criação do Campeonato Mundial de Futebol, organizado pela FIFA, ideia finalmente coroada de êxito no Congresso de Amsterdã, em 1928, quando aquele conclave decidiu organizar, em 1930, em Montevidéu, o I Campeonato do Mundo.

Tive imensa honra de o conhecer, já encanecido, mas ainda dispondo de enorme energia e vivacidade, em 1956, em Paris, apresentado por Paulo Costa, o dedicado e digno representante da CBD na França.

Aquele homem débil de físico, mas dono de uma inteligência fulgurante, e extraordinária simpatia, conquistou-me, ao primeiro contato.

Fiquei realmente encantado diante de sua palavra de líder, que fazia do futebol, nobre missão internacional, em prol da compreensão recíproca dos povos. Quanto mais o conhecia, mais o admirava, por nele sentir um autêntico cidadão do mundo. À presidência da FIFA, por mais de 35 anos, fez dessa posição uma bandeira de aproximação dos povos.

Grande amigo do Brasil, referia-se sempre ao nosso País e aos seus desportistas, com profunda admiração e respeito. Aqui esteve por diversas vezes, e uma delas, por ocasião do Campeonato do Mundo, em 1950, na inauguração do Maracanã.

Recordo-me das suas palavras amigas e carinhosas ao falar daquele acontecimento. Mas, no seu livro “La Histoire Merveilleuse de La Coupe du Monde”, vamos encontrar gravadas, as suas impressões, à página 160: “Uma guarda de honra deveria fazer alas, depois de chegar ao campo, até o centro, onde estaria perfilada a equipe vitoriosa, a do Brasil, naturalmente. Depois que a assistência ouvisse os acordes do hino nacional, cabia-me proceder solenemente à entrega do troféu.

Eu seguia, atentamente, as peripécias do match e pensava, com emoção, no papel que me caberia desempenhar dentro de alguns minutos.

Pouco antes do final do match, deixei o meu lugar na Tribuna, e já ia preparando o discurso que deveria pronunciar diante dos microfones. Naquele momento as duas equipes estavam em igualdade de placar, o que daria o título ao Brasil. O estádio, agitava-se como o mar sob fortes tempestades formadas pelas vozes dos 200.000 espectadores. Eu seguia pelo Túnel em direção ao campo. Logo que cheguei à saída do Túnel, um silêncio de morte havia tomado lugar de todo aquele entusiasmo esfuziante. O que se passava? Alguns segundos antes do apito final o team uruguaio marcava o seu segundo gol e conquistava a taça!”.

Em sua outra obra, que guardo, também com o carinho que merece, inclusive pela dedicatória que me foi dirigida, “Le Football et le Rapprochement des Peuples”, encontro sempre que a releio, os melhores estímulos e a mais grata recompensa pelas incompreensões de que é rico o campo da militância esportiva.

Ali, Jules Rimet deixa a mais pura mensagem, de sua personalidade, ao entendimento entre os povos. Entre outras manifestações, ele diz:

“Por minhas funções na FIFA iniciadas em 1913, graças aos congressos, aos matches aos quais tenho assistido em todas as partes do mundo, tive o privilégio de conhecer muitos países e muitas pessoas. Sob todas as latitudes, tenho mantido contato com as personalidades mais diversas, chefes de Estado, ministro, diplomatas e, naturalmente, numerosos dirigentes esportivos nacionais e internacionais. Esta experiência de trinta e cinco anos, esta longa informação, ter reforçado a minha convicção de que os homens estão mais próximos, um dos outros do que se crê geralmente. E a paz sobre a terra, há tanto tempo prometida aos homens de boa vontade, eu creio que é destino do futebol, promovê-la, um dia ou outro, como advento tão desejado”.

Todo livro é um hino de amor, paz e compreensão, como foi a sua própria vida.

Esta, é finalmente, a grande razão de ter sido o seu nome imortalizado na Copa de Ouro que inúmeras nações das mais diversas origens, raças, credos e ideologias disputam, de 4 em 4 anos.

O triunfo será o prêmio final, mas é necessário que esse triunfo alcance, não apenas a TAÇA DE OURO, mas, sobretudo, entenda, e consagre a maravilhosa mensagem humana que o seu nome inspira.

Por Sylvio Corrêa Pacheco – Presidente da CBD