Academia Brasileira de Futebol

Ricardo Teixeira – O homem que trouxe a segunda copa do mundo para o Brasil

Ricardo Terra Teixeira (Carlos Chagas, 20 de junho de 1947) é um dirigente desportivo brasileiro, 18º presidente da Confederação Brasileira de Futebol, onde permaneceu no cargo de 16 de janeiro de 1989 até 12 de março de 2012. Seu quinto mandato consecutivo terminou em 2007, mas havia sido prolongado, e deveria durar até 2015.

O jovem mineiro do interior, filho de um bancário, estudava Direito no Rio de Janeiro quando conheceu Lúcia, filha de João Havelange, no carnaval de 1966. Tinha apenas dezenove anos.

Ao nascer seu primeiro filho (1974) fez um agrado ao sogro ao registrá-lo com o nome de Ricardo Teixeira Havelange, colocando por último o sobrenome materno, ao contrário do que determinava a lei brasileira.

Durante sua gestão na CBF, seleções brasileiras, de todos os níveis, conquistaram 11 títulos mundiais e 27 sul-americanos, consolidando a sua hegemonia no cenário mundial.

Desde que o presidente Ricardo Teixeira assumiu a seleção brasileira principal, as categorias de base e a seleção feminina, em 1989 até a época atual, foram computados 100 títulos do futebol brasileiro. No ano de estréia de Teixeira o futebol masculino principal quebrou um jejum de 40 anos sem levantar a taça da Copa América de futebol.

 

A marca foi atingida nesta última quarta-feira (17/3/2010), após o futebol feminino sub-20 ter conquistado o título sul-americano.

 

– Essa marca de 100 títulos representa a consolidação de um projeto, que começou quando assumimos o compromisso com o torcedor brasileiro, o de ele voltar a festejar um título que desde 1970 a Seleção Brasileira não ganhava – Comentou Ricardo Teixeira se referindo ao título brasileiro na copa de 1994, dos Estados Unidos, sendo sua primeira conquista em copas, feito que mais tarde foi se repetir na copa do mundo de 2002, na Coreia do Sul e Japão.

 

O comandante da CBF estava muito orgulhoso e disse ter cumprido seu dever como presidente ao dar a torcida brasileira muitas felicidades felicidades.

 

De acordo com o presidente da CBF, o mérito também deve ser direcionado à jogadores e integrantes de comissões técnicas, pois, sem o rendimento destes, não haveriam títulos. – A CBF tem o grande mérito de ter dado apoio e toda a estrutura de trabalho aos jogadores e ao corpo técnico, os grandes campeões – Analisou o presidente.

 

Assim como conquistou essa trajetória histórica, Ricardo Teixeira fez questão de destacar outras conquistas em seu trabalho, como: reestrutura na administração da entidade e o melhoramento financeiro.

 

Com trabalho extremamente competente, no comando da CBF, ele redirecionou o rumo que estava tomando, indo de uma situação caótica para bons rendimentos e grandes quantidades de contratos assinados com empresas nacionais e internacionais – Quando assumi, a CBF estava praticamente quebrada, com dívidas e sérios problemas financeiros. Hoje, ostenta solidez financeira e credibilidade condizentes com a importância da entidade que tem a seleção de futebol mais famosa do mundo. Esse é outro grande motivo de realização – Destacou Ricardo Teixeira.

Ricardo Teixeira é um dos protagonistas deste espetáculo, trazer a copa do mundo para o Brasil depois de 64 anos de espera foi a conquista mais abiu desse mineiro de sorriso contido e forte sotaque de carioca, “Nossa grande vitória foi manter o rodizio de continentes até 2014″ diz ele. Sobre as articulações na FIFA (Entidade Máxima do Futebol) o maior evento esportivo do planeta é gigante em números, poderá custar US$5 bi ao país mas significará muito mais investimento na infraestrutura e atrairá algo em torno 500 mil turistas estrangeiros (10% do que recebemos anualmente) e impulsionará a economia  – países sedes ganham, em média, 1 ponto percentual no PIB no ano da copa. Há de 18 anos no comando da CBF, Teixeira 66 anos, entrou no mundo da cartolagem pelas mãos do ex. sogro João Havenlange ” Aprendi tudo com ele, meu grande professor”  afirma. Conhecidencia ou não, o fato é que as cinco vezes em que o Brasil ganhou a copa (58, 62, 70, 94, 2002) um dos dois estava à frente da CBF (Meus filhos podem dizer a taça está em família) brinca Teixeira. Pai de quatro filhos, três do primeiro casamento, e a avô de três netos. Depois de comandar a confederação brasileira, Havelange tornou-se em 1974, presidente da FIFA e lhe deu a estrutura que a entidade tem hoje, com inúmeros campeonatos femininos e masculinos, beach soccer e futsal.

Nas eleições de 1983 e 1986  os candidatos apoiados por Havelange e por ele –  perderam. Em 1989, Teixeira era o candidato da oposição. “Eram 26 federações.” Quando faltava 2 meses para as eleições eu já tinha ganho uns 18 votos”, conta. Inimigo de Nabi Abi Chedid, então vice presidente da CBF, Teixeira terminou a campanha como candidato único sendo apoiado inclusive por Nabi, que virou seu vice ” Ele foi um amigo de uma vida inteira, de uma lealdade absurda” diz ele sobre o dirigente que veio a falecer.

Teixeira diz que saber perder é sua maior qualidade, mas os salta aos olhos é sua habilidade de negociar. É isso que lhe garantiu uma longevidade na cobiçada presidência da CBF, cargo deixado por ele a pouco tempo.

Teixeira trouxe para CBF sua experiencia de administrador, de quem atuou 20 anos no mercado financeiro no rio de janeiro. Quando assumiu a presidência, a entidade estava pendurado em dividas coma Varig, os jogadores não havia recebido o prêmio da copa do mundo de 86 e a taça Jules Rimet, do tricampeonato no México, uma réplica doada pela Kodak estava penhorada. “A CBF vivia de dinheiro de governo” diz ele. Hoje tudo é privado, só o contrato de patrocínio da Nike com a seleção Brasileira, que vai até 2018, rende US$ 12 milhões por ano, contrato assinado em 1996.